Alternativas com mares calmos

Alternativas com mares calmos

O verão rima com mares calmos, mares nem sempre ideais para se procurar os tão cobiçados sargos, douradas e robalos, e que obrigam o pescador a tomar algumas atitudes. Uma delas é mudar de técnica de pesca, outra a de mudar de horário, escolhendo a calada da noite para fazer umas investidas e, por fim, aceitar o que a mãe natureza nos oferece, sem nunca largar a nossa tão querida caninha de boia.

É lógico que é possível pescar sargos, robalos e douradas à boia com mares calmos e tempo quente. A noite é quase sempre boa conselheira e uma boa escolha do pesqueiro pode sempre permitir que a água chocalhe sempre um pouco mais, quanto mais não seja agarrada às pedras. Mas nem sempre os horários de quem pesca permite estas “adaptações”, estas mudanças de estratégia. Até há quem não se preocupe muito com isso! É preciso é pescar um pouco, com a técnica que mais nos entusiasma: a pesca à boia.

Dificuldades naturais

Mas nem tudo é um “mar de rosas”. Quem pensa apenas que pescar os manhosos sargos é que é complicado engana-se pois há certas espécies que por muito que as queiramos pescar, por muito peixe que haja no pesqueiro, são naturalmente difíceis de pescar.

Um exemplo disso são as manhosas tainhas, peixe que come de forma subtil e que é uma verdadeira dor de cabeça para quem não está habituado a pescá-las. Boias excessivamente pesadas, linhas grossas, anzóis grandes e iscadas desproporcionadas – as usadas para pescar sargos com mar mexido – são inimigas do pescador de boia que engoda de verão e quer apanhar as enormes tainhas que cruzam o pesqueiro.

Quem diz tainhas diz as salemas, peixe que também tem na subtileza da forma de comer a agravante de o fazer habitualmente sobre a pedra, estando muitas vezes ferrada sem que o pescador se aperceba. A juntar a isto, os seus dentinhos têm a particularidade de danificar as linhas, partindo-as num ápice caso não tiremos rapidamente o peixe.

É precisamente para as tainhas e salemas que deixaremos alguns conselhos para este verão. Podem perguntar o porquê de nos centrarmos apenas nestas duas e a nossa reposta é simplesmente porque desportivamente, em termos da luta e do porte do peixe, são as espécies que mais nos podem satisfazer o ego e a ânsia de apanhar uns peixes “que puxem”!

As tainhas

Se quer apanhar tainhas é sinónimo de ter de engodar com sardinha. Um engodo bem pisado e aguado é o único cuidado que precisa de ter em termos de engodagem.

Já na montagem que se deve usar é que “a coisa pia mais fino”; recomendam-se boias leves entre os 2 e os 6 gramas (não se esqueça que pescamos com mares paradinhos), linhas finas no terminal entre o 0,16 e 0,18mm, um 0,20mm se pescarmos num local mais alto em que tenhamos de içar o peixe, e anzóis pequenos e finos, entre o nº 16 e o nº 10. O fluorocarbono pode ser uma boa alternativa, sobretudo em versões mais macias. A “souplesse” da linha é muito determinante, quase tanto ou mais que a invisibilidade.

Para iniciar a montagem recomendo que se usem 3 a 5 chumbos fendidos, os quais serão colocados juntos abaixo da quilha da boia para depois ser irem afastando em função da forma como pescarmos – no fundo, a meia-água ou junto à superfície. Usar vários chumbos em vez de um que totalize quase toda a calibragem da boia é importante para ter uma distribuição dos chumbos que dê uma apresentação natural ao isco, determinante para pescar tainhas. No entanto, é uma montagem que permite ser adaptada e que dá igualmente para pescar a tudo, até às salemas, como veremos.

Em ação de pesca há que tentar perceber a que altura é que andam as tainhas para colocar o isco no “andar” em que elas andam. Dependendo da profundidade estabelecida assim se distribuirão os chumbos, deixando-se habitualmente um chumbo a 30 centímetros do anzol.

Em ação de pesca, negaçar é muito importante e a negaça mais produtiva é aquela em que se arrasta a pesca lateralmente (e devagar) com a linha esticada, incitando as tainhas a comer. Esta é a negaça que melhores resultados proporciona e relativamente à iscada pode dizer-se que os beliscos do lombo de sardinha fazem milagres, colocando 2 a 3 no anzol. Se respeitar estas dicas certamente que fará uns tainhões!

Salemas, um caso particular

Podemos encontrar salemas em qualquer parte que tenha rocha que forme limo. As zonas que formam limo estão expostas durante a maré vazia, razão pela qual as salemas têm predileção por mares menos agitados, para poderem aceder a esses pontos. No entanto aguentam mar forte, onde aproveitam a força do mar e os limos partidos que este parte.

As salemas têm uma série de particularidades que as tornam muito interessantes, pescando à boia, claro está. A montagem pode ser a mesma das tainhas mas convém fazer algumas adaptações. O anzol tem de trabalhar apoiado no fundo, e para isso convém deslocar mais peso para junto do mesmo. É um peixe que come o limo agarrado à pedra e por isso, se pescar numa zona com essas características nem precisará de engodar muito. Por vezes iscando apenas o “caldo verde” ou o “limo de baga” será suficiente para as apanhar.

Se optar por pescar com a sardinha pode apostar no mesmo tipo de iscadas ao belisco das tainhas ou num único belisco. Como isco pode também recorrer ao camarão, nas mesmas variantes de vários beliscos.

O anzol deve ser alvo de atenção especial: ou deverá ser de haste mais comprida ou deverá ter uma proteção na haste e começo da linha, de modo a evitar que as salemas “destruam” a linha e partam, uma situação muito comum, sobretudo se andarmos a “brincar” com elas muito tempo e usarmos linhas mais finas ou se as tivermos de içar. Mesmo com este silicone, deve ter-se atenção a esta zona, pois ao fim de algumas capturas o silicone rompe.

Já que se pesca habitualmente com o anzol no fundo pode apostar-se numa linha mais grossa, entre o 0,18 e 0,22mm, por vezes um pouquinho mais se a água deixar, o pesqueiro for mais fundo e/ou as salemas forem muito grandes.

Muita atenção!

Se engodar com sardinha – fresca ou congelada – pode colocar facilmente as salemas a comer aos seus pés. No entanto, e no que diz respeito à engodagem, é preciso ter em atenção algumas coisas se quisermos apanhar as salemas no fundo, como descrito no texto. Há que adicionar alguma areia ao engodo feito com sardinha congelada pois esta tem tendência a flutuar; se quisermos evitar as tainhas, bogas, agulhas e cavalas, esta é a forma de proceder.

Ao iscar a sardinha é de evitar colocar pedaços com pele, embora haja dias em que “marcha tudo”! O camarão é também uma excelente opção para evitar as tainhas e focar a pesca nas salemas, uma boa forma de escolher o peixe que se quer apanhar.

CAIXA

Separar o trigo do joio

Ao lançarmos as primeiras colheres de engodo aos nossos pés, as salemas e as tainhas são dos primeiros peixes a acudir à pedra. Os sargos ficam normalmente mais expectantes e colocam-se em segunda linha, por trás da engodagem. Por isso se quiser procurar as salemas deve colocar a pesca onde cai o engodo, se quiser as tainhas deve andar imediatamente à frente e fazer “as tais” negaças e se quiser os sargos, deve, ao início, pescar ligeiramente por fora do engodo, com o isco mais no fundo e evitando qualquer negaça ou movimento da boia.

DESTAQUES

As zonas que formam limo estão expostas durante a maré vazia, razão pela qual as salemas têm predileção por mares menos agitados, para poderem aceder a esses pontos

Em ação de pesca, negaçar é muito importante e a negaça mais produtiva é aquela em que se arrasta a pesca lateralmente (e devagar) com a linha esticada, incitando as tainhas a comer

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LEGENDAS

1 – Quer as tainhas quer as salemas são os primeiros peixes a encostar ao engodo e à pedra.
2 – As salemas podem atingir mais de um quilo e têm que se tirar rápido da água…senão as linhas já eram, sobretudo a pescar de altura.
3 – Uma típica pescaria de verão às tainhas…
4a e 4b – Iscada de beliscos de camarão (esq.) e de sardinha (dir.).

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