Douradas de Outono

Douradas de Outono

Pesca “light” em molhes e pontões

A dourada (Sparus aurata) é e será sempre uma das espécies de esparídeos mais cobiçados da nossa costa continental. De norte a sul muitos são os pontos quentes em que esta espécie pode ser capturada pelos pescadores lúdicos. A dourada é sem dúvida uma das espécies que mais dá prazer de ser capturada sendo caracterizada especialmente pelas suas enérgicas arrancadas e cabeçadas inconfundíveis.

Esta espécie caracterizada pela sua cor prateada na zona do ventre e acinzentada no dorso torna-se inconfundível pela mancha negra por cima do seu opérculo e pela mancha listada amarela entre os seus olhos. Outras das suas características são os seus lábios carnudos e dentição extremamente forte e preparada para triturar os seus alimentos.

Desportivamente é uma das espécies mais cobiçadas pelo pescador e gastronomicamente uma autêntica iguaria.

Onde encontrá-las?

Mediante as diferentes épocas do ano esta espécie costeira pode ser encontrada em variados locais como zonas de praia com fundos mistos, fundos de areia, canais e caneiros ou mesmo fundos só de pedra, em zonas de falésia, em lagoas com ligação ao mar, em estuários de rios, etc., sendo o tipo de pesca e de pesqueiros muito diversificados.

Por quase toda a nossa costa existem relatos de exemplares de grande porte que fazem as maravilhas de muitos amantes da pesca podendo alguns exemplares ultrapassar os 6/7kg de peso sendo estas capturas verdadeiros troféus que proporcionam lutas pescador/peixe inesquecíveis. A época pós-desova é uma excelente altura para pescar a esta espécie (que tem maior incidência nos meses de verão) já que é uma fase em que esta se alimenta intensivamente podendo esta espécie ser capturada tanto de noite como de dia. O outono é sem dúvida uma excelente altura para abordar esta espécie que quando atinge tamanhos consideráveis adota um comportamento solitário ou de pequenos grupos.

A dourada é como a maioria dos pescadores desta espécie reconhecem uma espécie tímida e muito desconfiada escolhendo a sua alimentação de forma seletiva e por vezes bastante cuidadosa. Em dias de águas calmas e abertas é normal ver grandes exemplares deslocando-se tranquilamente bem junto da margem mas adotando muitas vezes um comportamento desinteressando mas cauteloso, dando a ideia de que fazem um reconhecimento ou patrulhamento da zona. Poderá ser nesta observação que posteriormente nas horas e momentos mais favoráveis do dia/maré o pescador consiga com a junção de vários elementos conseguir enganar mais facilmente algum ou alguns grandes exemplares.

Molhes e pontões

Podemos dizer que os molhes e pontões são sem dúvida um dos locais de eleição para realizarmos uma jornada a esta espécie já que a mesma elege estes locais como “roteiro” obrigatório no que toca à sua alimentação.

Estes locais estão na maioria das vezes repletos de alimento à disposição das douradas que pode ir dos seus alimentos de eleição como os caranguejos (pilados, mouras, verdes, duas cascas, da areia), o mexilhão e os inevitáveis ouriços, passando pelo moluscos, bivalves, anelídeos como a muito apreciada tiagem, a minhoca da pedra, a minhoca do limo, os grilos, a tita, os bibis, minhocão, a bastante atual batata, etc., etc., e até pequenos peixes.

A utilização de iscos deve ser cuidadosa com uma apresentação o mais natural possível, frescura é muito importante, de preferência utilizando os que a dourada procura naquela zona. Conhecer os “spots” na perfeição é uma grande vantagem já que as douradas acabam por criar rotinas em certas alturas do ano e conhecê-las será meio caminho andado. Apesar de como já foi referido anteriormente as douradas poderem ser capturadas durante qualquer período do dia, o nascer e o final do mesmo são muito quentes para esta espécie.

A abordagem “light” ou ligeira que iremos abordar poderá ser uma mais-valia na apresentação e no trabalhar mais natural dos iscos que utilizarmos na nossa jornada de pesca.

O que entendemos por abordagem ou pesca “light” prende-se essencialmente com a utilização de materiais muito mais ligeiros e suaves, canas de ação mais reduzida, carretos menos robustos, fios mais finos, calibragens muito mais leves não tendo nada a ver com os iscos utilizados pois esses no caso de querermos tentar os grandes exemplares devem continuar a ser bastante generosos e apelativos.

Tipologia de uma abordagem “light”

Podemos também considerar esta pesca como uma pesca de fundo muito ligeiro com algumas “nuances” nos procedimentos da pesca à chumbadinha.

Os materiais a utilizar neste tipo de abordagem são bastante diversificados e não existe nenhum padrão ou standard que nos faça dizer exatamente quais os parâmetros para ser considerada ou nomeada desta forma. Ficará sempre ao critério do pescador utilizar dentro da razoabilidade material suficientemente capaz e com a qualidade suficiente para que possa realizar capturas tendo em conta a espécie em questão, o local exato da jornada de pesca e o potencial tamanho dos exemplares que podemos capturar.

Relativamente aos materiais a utilizar neste tipo de pesca em molhes e pontões o conceito será afastarmo-nos das canas clássicas de pesca ao fundo, de surfcasting fugindo aos “casting weight´s” poderosos e que são utilizados com mais regularidade na pesca a esta espécie.

Por exemplo, no que toca à escolha de uma cana e para podermos lidar com a montagem suave com chumbos leves, a opção da ação da cana tem que estar equilibrada com a mesma. Tendo em conta a utilização de chumbos na casa dos 10 a 40g por exemplo podemos enveredar pela escolha de uma cana dentro desses propósitos tipo uma ação 10-50g ou 30-70g etc., etc.. Na escolha do carreto também um ponto de equilíbrio com a vara e mais uma vez fazendo toda a diferença um carreto com “drag” bastante bem equilibrado que responda bem às arrancadas tremendas que esta espécie proporciona. Carretos de tamanho 5000 ou 6000 já nos podem trazer muita confiança e servir muito bem este propósito.

Os fios adquirem aqui um papel muito importante e devem ser inequivocamente de boa qualidade já que se pretende utilizar fios mais finos que passem muito mais despercebidos ao peixe. Em dias de água aberta o fluorocarbono 100% já provou ser um grande aliado e deve ser não só de boa qualidade como ter uma boa resistência, não sendo nem demasiado macio nem demasiado rijo. Se estivermos a utilizar fios por exemplo na casa do 0,23 até 0,30 estamos a falar de diâmetros que há uns anos atrás era impensável utilizar sendo muito habitual optar por 0,40, 0,50 e até mais. Os anzóis são o que talvez menos mude nesta abordagem continuando a ser importante um anzol bastante resistente que aguente os poderosos maxilares e dentição da dourada e tenham um tamanho que proporcione a realização de iscadas bem feitas e de preferência bem generosas.

A cana na mão e o fio não demasiadamente esticado também são vantagens neste tipo de pesca e em certos dias em que as douradas estão mais cautelosas poderá ser essencial.

As vantagens de pescar “light”

Com esta abordagem de pesca temos efetivamente alguns pontos que jogam a favor do pescador já que a subtileza e suavidade deste tipo de pesca consegue muitas vezes superar a atitude normalmente desconfiada e até de completo desinteresse que as douradas tantas vezes demonstram nas abordagens mais convencionais como uma convencional pesca ao fundo. A dourada tem por norma observar e selecionar bem o seu alimento e a montagem utilizada nesta abordagem pode determinar uma apresentação muito mais discreta no que toca aos materiais da montagem e muito mais natural no caso dos iscos, menos rígida e estática. Ao atacar a iscada o peixe sente muito menos prisão e tem menos tendência a rejeitar/largar o isco. Em alguns casos a nossa iscada acaba por acompanhar “o sabor” da maré mostrando um comportamento extremamente natural e familiar para as douradas que assim o atacam com muito mais efetividade. Este tipo de montagens acaba por ser bastante mais discreta proporcionando ataques mais numerosos e efetivos.

As desvantagens de pescar “light”

Como já referimos a dourada é uma espécie caracterizada pelas arrancadas muito vigorosas que levam facilmente muitos metros de fio num curto espaço de tempo assim como ao mesmo tempo vão dando as típicas “cabeçadas” muito características pela sua violência que podem levar os fios ao seu limite e parti-los e, no caso de estarmos a utilizar fios mais finos, de diâmetros que habitualmente não são utilizados na pesca desta espécie temos sem dúvida um possível ponto fraco nas lutas por vezes quase épicas com as douradas grandes. Os fios finos apesar de no presente já apresentarem características de grande qualidade e resistência continuam à mercê da poderosa dentição da dourada, das aguçadas pedras dos fundos mistos, das rochas mariscadas dos molhes, da dificuldade dos pés de galo entre outros pormenores que pescar fino vai continuar sempre a ter. Por outro lado torna esta pesca muito mais emotiva fazendo subir a adrenalina a valores bem altos e fazendo vir ao de cima as qualidades de um pescador nestes momentos.

Esta abordagem cria muitas a vezes a sensação de total controlo do peixe sobre o pescador já que não permite o poder “apertar” como se desejaria e muitas vezes tendo que se dar à dourada o controle inicial da luta o que aumenta sem dúvida as probabilidades de perdermos o exemplar mas sem qualquer tipo de dúvida o grau de prazer e de satisfação é muitíssimo superior.

Material a não esquecer neste dias e nestas abordagens será o obrigatório cesto, rabeca ou no caso de ser possível um bom repuxel caso contrário teremos muitos dissabores.

Emoções à farta

Em suma estamos a falar de tirar o máximo prazer de um dia de pesca mesmo que isso pareça muitas vezes arriscado pelo material que se utiliza. Podemos assim aumentar o número de peixes ferrados numa só jornada que muitas vezes em condições normais e utilizando as montagens mais convencionais poderiam eventualmente não proporcionar. Acima de tudo é uma abordagem diferente que tem vindo a ganhar mais adeptos não só pelo enorme prazer que proporciona a quando das capturas mas também pelo mercado de materiais de qualidade que cada vez temos mais ao nosso dispor e que podem ser encaixados perfeitamente nesta ideologia.

DESTAQUES

Os molhes e pontões são sem dúvida um dos locais de eleição para realizarmos uma jornada a esta espécie já que a mesma elege estes locais como “roteiro” obrigatório

Relativamente aos materiais a utilizar neste tipo de pesca em molhes e pontões o conceito será afastarmo-nos das canas clássicas de pesca ao fundo, de surfcasting

Material a não esquecer neste dias e nestas abordagens será o obrigatório cesto, rabeca ou no caso de ser possível um bom repuxel caso contrário teremos muitos dissabores

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LEGENDAS

1 – Apanhar uma bela dourada é gratificante, mais ainda quando se reduz o calibre do material.
2 – Não adianta forçar a situação. Com material “light” os primeiros momentos do combate são delas…
Sequência fotos 3 (a, b, c y d) – Dispor de uma rabeca ou cesto é essencial para se tirar um peixe de um local elevado. Na sequência, o autor a executar a “manobra” com mestria.
4 – O momento em que finalmente se pode respirar fundo…
5 – Pese o facto de se reduzir no peso do chumbo e diâmetro das linhas, os anzóis é algo que tem de manter uma certa robustez. Veja-se a dentição destas meninas…

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