Luciopercas

Luciopercas

Locais e estratégias a partir de terra

Ao contrário do que muita gente acredita, pescar luciopercas de forma consistente é muito diferente de pescar achigãs. Importa por isso conhecer alguns comportamentos desta espécie, para depois escolher os locais de pesca e as estratégias.

Vamos encontrando luciopercas um pouco por todas as massas de água. Queridas por alguns, odiadas por outros, mais tarde ou mais cedo, temos todos que lidar com esta espécie. Pessoalmente, considero-a um predador muito astuto, temperamental e seletivo…e por isso, desafiador na sua pesca.

 

Comportamentos da espécie

A lucioperca é um peixe com alguns comportamentos característicos muito particulares que sobressaem imediatamente: Vive em profundidade, mas pode deslocar-se a zonas mais baixas para se alimentar, por vezes em pequenos cardumes. Pescam-se vários exemplares nestas condições, o que leva a que o pescador pense que é fácil pescar luciopercas. Nada mais errado! O que aconteceu foi, apenas e só, a conjuntura de vários peixes que no mesmo local procuravam alimento numa atitude agressiva. Sabemos também que principalmente no verão, alimenta-se sobretudo à noite ou em condições de baixa luminosidade, tirando partido duma excelente visão nestas circunstâncias. Outra característica que nos interessa conhecer, prende-se com a relação que estabelece com as estruturas. Isto torna-se fundamental para definir os locais onde podemos procurar a espécie, sendo este fator mais importante do que as amostras que lhes lançamos.

 

Locais em albufeiras sem corrente

Nas albufeiras onde não existe corrente a espécie estabelece o seu posicionamento habitual, quase sempre em profundidade, realizando deslocações a águas baixas apenas para se alimentar ou para a reprodução. No entanto, se existirem alburnos ou outros peixes-presa na massa de água, e uma vez que os cardumes destes circulam igualmente em água aberta, fazem habitualmente deslocações verticais para procurar alimento.

É também frequente as luciopercas formarem grupos de indivíduos de tamanhos semelhantes, mantendo-se suspensas a meio da coluna de água, por exemplo a 10/12 metros de profundidade. São condições de pesca muito difíceis, mesmo para quem pesca de barco, porque estão sempre em estado negativo e ignoram qualquer tipo de alimento.

Neste caso – albufeiras sem corrente e pesca a partir da margem – são claramente as mais desfavoráveis para o pescador. Resta-nos procurar os peixes nas condições mais propícias de luminosidade e zonas de potencial alimento. A pesca será mais produtiva ao amanhecer, entardecer e quando ocorrem dias nublados ou mesmo de chuva. Devemos ter como objetivo pescar nas baías, nos bicos de rocha que entram pela água dentro, zonas de gravilha ou pequenas rochas, incluindo os paredões das albufeiras em rocha solta.

 

Locais em albufeiras com corrente

Boa parte das albufeiras onde as populações de luciopercas mais prosperam é nas que apresentam alguma corrente. Estas massas de água estão localizadas nos grandes rios nacionais, principalmente nos Douro, Tejo e Mondego. São classificadas de “fio de água”, porque toda a água que chega é utilizada na produção de energia elétrica, existindo por isso sempre alguma corrente que pode ser de maior ou menor intensidade. Estes sistemas aquáticos são também mais dinâmicos, onde as presas se movimentam mais, sendo por isso mais fáceis de serem apanhadas desprevenidas. Neste caso, a tarefa torna-se um pouco facilitada, porque estabelecem várias relações com a corrente, permitindo que nos seja possível identificar os locais onde se posicionam, com o objetivo de tirar partido do alimento com o mínimo de desperdício de energia.

Para tal, concentram-se frequentemente junto ao fundo e nas zonas laterais da corrente principal. Desta forma, devido ao relevo do fundo mantêm-se no local com o mínimo de esforço e observam facilmente peixes e lagostins arrastados pela água, atacando-os de imediato. Nestas albufeiras devemos observar a corrente e magicar em que local os predadores poderão estar. Um facto real é que nas águas mexidas encontramos as luciopercas muito menos fundas do que em água paradas, fator importante para quem pesca da margem.

 

Amostras

Os iscos artificiais a utilizar, são na minha opinião, a parte menos rebuscada nesta pesca e são utilizáveis nas duas condições que analisamos: águas paradas e com alguma corrente. Nas amostras, vamos procurar usar as que imitam o alimento base, que são os pequenos peixes e os lagostins (ver caixa).

Nas amostras rígidas, iremos escolher stickbaits, crankbaits e rattlins, em cores naturais, sempre que as luciopercas estejam mais difíceis e inativas. Os mesmos tipos de amostras nas cores mais visíveis e indiscretas, com o laranja vivo, verde alface ou o rosa chock, podem produzir muitas capturas em água límpidas e pouca luz, porque se tornam bastante visíveis. Nos vinis, a mesma doutrina: imitações de peixes em cores naturais, senkos, flukes, shadows, slug-go´s, e claro, os insubstituíveis lagostins. Nesta classe de iscos podemos ainda recorrer aos grub´s de tamanhos maiores – até às 4”, na cor branca e nas cores vivas atrás enunciadas, sendo também um dos iscos insubstituíveis nesta pesca. Qualquer variante de montagem (Texas, drop-shot, em cabeçotes, etc.) pode ser usada e ajustada às reações que vamos tendo aos toques.

 

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Alimentação

A alimentação das luciopercas adultas é muito pouco variada, ao contrário de outros predadores como o achigã ou até mesmo a truta ou o siluro. Alimenta-se de insetos apenas na fase juvenil e não tem por hábito alimentar-se de batráquios ou outros anfíbios. Em adulto, a base da sua alimentação é constituída por peixes – alburnos, bogas, barbos, escalos, incluindo os da própria espécie e lagostins, sendo estes últimos em algumas fases do ano praticamente o seu único alimento. Estes são fatores que nunca devemos esquecer quando pescamos luciopercas!

 

 

 

LEGENDAS

1 – A lucioperca é um predador que se mantém ativo durante todo o ano.
2 – Alguns modelos de amostras que podemos usar para pescar da margem.
3 – Imitações de peixes e lagostins são as melhores imitações de vinil para as luciopercas.
4 – Para ocasiões que nos apercebamos que estão a alimentar-se mais próximo da superfície.
5 – Os grubs são uma opção válida para pescar de margem, sobretudo em zonas de parede e quando se exige uma apresentação mais vertical.

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