Oceanos mais Ácidos provocam Perda de Olfato nos Peixes

Os peixes estão a perder capacidade olfativa devido à acidificação dos oceanos causada pelo aumento do dióxido de carbono na atmosfera.

oceanos_mais_acidos_provocam_perda_de_olfacto_nos_peixes-3-848x263Os dados são da conclusão de um estudo levado a cabo no Centro de Ciências do Mar, no Algarve, onde foi testada a capacidade do robalo detetar diferentes odores, recorrendo ao registo da atividade no sistema nervoso quando os robalos eram expostos a diferentes condições de acidez e níveis de dióxido de carbono na água. Liderado por Cosima Posteus da Universidade de Exeter, foi agora publicado na revista Nature Climate Change.

Este estudo evidencia que espécies de peixes comercialmente importantes vão ser afetadas pelo aumento dos níveis atmosféricos de dióxido de carbono, deixando-as mais vulneráveis, uma vez que condiciona a sua capacidade para detetar odores.

Os peixes usam o olfato para encontrar alimento, procurar habitats seguros, evitar predadores, reconhecerem-se uns aos outros e até para encontrar locais para se reproduzirem; e qualquer redução desta capacidade pode comprometer algumas funções acima citadas e, consequentemente, a sobrevivência da espécie.

Como aspetos inovadores deste estudo, é o primeiro estudo a analisar o impacto do dióxido de carbono do oceano diretamente no sistema olfativo dos peixes, onde os cientistas começaram por comparar o comportamento de juvenis de robalo em níveis de dióxido de carbono que se encontram atualmente no oceano com os níveis previstos para o fim deste século. Os robalos nadaram menos em águas mais ácidas, tendo demonstrado também estar menos preparados para responder a predadores. Estes peixes estavam também menos ativos, indiciando alguma ansiedade.

A sensibilidade olfativa do robalo foi bastante reduzida, para cerca de 50% do normal, quando os níveis de dióxido de carbono se aproximavam dos estimados para o final do século. A sua capacidade para detetar e responder a cheiros associados a alimento ou a situações de ameaça foram mais afetadas do que a deteção de outros odores sem funções vitais, o que pode dever-se ao facto da água acidificada modificar o modo como as moléculas olfactivas se ligam aos recetores olfativos, reduzindo a sua sensibilidade e capacidade de distinguir estímulos importantes.

Segundo o Sul Informação, os cientistas também estudaram como o teor elevado dióxido de carbono e a acidificação da água afeta a atividade dos genes nas narinas e no cérebro do robalo tendo encontrado evidência de alterações em genes envolvidos no reconhecimento e processamento e informação sobre de odores.

Esta poderá ser mais uma consequência do aumento dos níveis de dióxido de carbono na atmosfera que ameaça os ecossistemas aquáticos. Os cientistas colocam assim a questão da capacidade de resiliência dos peixes nestas condições, se conseguirão sobreviver a estas adversidades, se terão capacidade para se adaptar, e em quanto tempo, pois terão que enfrentar um impacto significativo com o aumento previsto dos níveis de dióxido de carbono.

Fonte: Sul Informação

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