Um dia, o lixo que atirou ao mar, irá parar à sua mesa!

Sónia Ell fotografa o lixo marinho que vem dos oceanos e quer levar essas imagens às escolas, para que as crianças se apercebam desta realidade. 

Sem TítuloTornou-se mergulhadora em criança, com o objetivo de combater o medo da água com algas e chegar mais perto da sua enorme paixão, os tubarões. Teve o clique definitivo no momento em que assistiu ao documentário Racing Extinction, onde se vêem imagens perturbadoras de espécies em perigo. Em 2015 decidiu recolher provas fotográficas do plástico que encontra no oceano, ao largo dos Açores. Em declarações ao Público, diz que “Isto é um bocadinho como o carma – mandamos o lixo para o mar, mas mais cedo ou mais tarde ele vem-nos parar à mesa.”

O objetivo é alertar as crianças para o perigo do lixo nos oceanos, pois “são elas que podem reverter o que as gerações do meu pai e do meu avô fizeram.” 

+1=-1, foi o nome escolhido para este projeto.

“Se pusermos mais um plástico no mar é menos um que podemos reciclar e mais um destruído com a erosão natural que vem parar à mesa.”, explica a fotógrafa.

Sónia encontra todo o tipo de lixo, seja dentro ou fora de água (areal), desde chinelos, carrinhos de supermercado, brinquedos, embalagens de comida, garrafas, escovas dos dentes, coisas muito grandes e partículas já minúsculas, provavelmente em processo de erosão há anos, redes fantasma perdidas no fundo do mar, etc. “No fundo do mar, uma garrafa pode tornar-se o habitat natural de um animal. Se retirar uma garrafa posso trazer lá dentro um polvo bebé, por exemplo, que é tão pequeno que não se vê.”

“Na zona central dos oceanos existe uma acumulação maior de lixo marinho. A dinâmica de circulação global oceânica faz com que nessas zonas se encontrem uma espécie de pequenos vórtex que acabam por concentrar no seu interior aquilo que está a flutuar. Em 2050 teremos mais plástico do que peixe no mar”, conta a mergulhadora.

E se começarmos hoje já pode ser tarde demais… Mas Sónia é mais optimista: “Acredito que se salvarmos um coração salvamos a humanidade. Sou optimista: a pouco e pouco chegamos lá.”

Fonte: Público

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